sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Relação Comunicação/Educação

A evolução das comunidades de aprendizagem passa por diferentes momentos e está directamente relacionada com a evolução do conceito de comunicação.

Família (comunicação interpessoal):

É no seio da família que surgem as primeiras e principais relações do ser humano, surgindo um ambiente de aprendizagem (aprendizagem informal) direccionado para as necessidades quotidianas (subsistência) e para a herança cultural.
Este tipo de aprendizagem característica da família prevalece até aos dias de hoje, ainda que respondendo a diferentes necessidades que foram surgindo com a evolução das sociedades e das estruturas familiares (o aparecimento da estrutura educativa formal – escola – não retirou capacidade de intervenção à família, que continua a ter um papel significativo mas num diferente contexto).

Escola (comunicação de elite):

À comunicação de elite, associa-se a escola enquanto estrutura educativa preponderante, que surge na sequência do progressivo uso da linguagem escrita e, ao mesmo tempo, do aumento de complexidade das sociedades.
A utilização da escrita por si só cria uma divisão na sociedade (entre aqueles que eram capazes de se expressar por esse meio – a escrita – e outros que não o eram) o que faz com que a educação seja uma actividade especializada. A aprendizagem transforma-se numa matéria de especialistas e é executada num local determinado que não o ambiente familiar – a escola.
O próprio termo escola deriva do conceito grego de “ócio” (não se faz nada), que permitia que as pessoas dedicassem o seu tempo livre à escola. Só aquele que dispõe de tempo livre é que se pode dedicar às actividades intelectuais, e só tem tempo livre quem tem garantido segurança, habitação, alimentação.

Escola paralela (comunicação de massas):

O domínio da escola como única fonte da transmissão de saber é posto em causa a partir do momento em que surgem os meios de comunicação de massa: a amplificação das mensagens através da democratização dos livros, dos jornais, da rádio e principalmente da televisão (a televisão tem grande influência nas crianças) junta-se à escola (e à família) um novo agente transmissor de conhecimento e de atitudes com um novo estilo ao qual chamamos escola paralela.
A Escola paralela gerou três movimentos diferentes sobre a sua relação com a escola: movimento de substituição (sociedade sem escolas e livre acesso ao conhecimento), movimento de concorrência (relaciona-se com a imobilidade da escola face aos avanços da escola paralela, em que a estratégia é ir buscar a escola paralela e trazê-la para dentro da escola) e movimento de complementaridade (a escola deve ser encarada numa perspectiva de educação permanente, em função dos vários estádios de aprendizagem tendo como apoio a escola paralela).

Auto-educação (comunicação individual):

Como o aparecimento dos self-media veio permitir ao homem o acesso a informações e a mensagens sempre disponíveis, e a desenvolver a capacidade de expressão em linguagens diversificadas, o aluno já não é um mero estudante, que recebe as informações da aula de forma passiva, mas sim um participante activo na sua própria formação. O papel do professor (emissor) e do aluno (receptor) muda porque o aluno passa a ser um auto-educando, podendo aceder ao saber por si próprio (de forma autónoma) e o professor fica liberto das suas funções, meramente informativas, ganhando espaço para exercer funções mais formativas.

1 comentário:

  1. Ana,
    gostei da forma como tratou o tema, embora pudesse ter-se afastado mais das leituras que fez.

    Obrigado
    PPM

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