quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Utopia da Comunicação

Norbert Wiener idealizou a utopia da comunicação, surgindo um novo conceito de sociedade em que "a comunicação deve ter a extensão que ela merece de bom grade: a de fenómeno central".
Uma tal sociedade assentaria em três princípios fundamentais:
- consenso - no sentido de tomar decisões da forma mais racional, havendo igualdade na possibilidade de apresentar e argumentar ideias, evitando conflitos sociais auto-destrutivos;
- transparência (sociedade ideal) – no sentido de trazer ao conhecimento dos cidadãos todos os assuntos de interesse público;
- auto-regulação (comunicação como valor) – no sentido de que a sociedade terá os seus próprios mecanismos homeostáticos, susceptíveis de detectar atempadamente os problemas e desequilíbrios que poderão, assim, ser resolvidos de forma mais rápida e eficaz possível.
A Utopia da Comunicação é uma nova idealização de sociedade. Mas uma utopia não deixa de ser isso mesmo: uma visão "impossível". O que importa é haver algum esforço para haver uma aproximação cada vez maior com esse ideal. E as contradições dessa visão utópica surgem precisamente na sua busca.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

4. Comentário sobre a importância da comunicação de massas para a prática docente.

No contexto escolar, o manual é utilizado como instrumento da comunicação de massas (alunos), onde as características individuais não são tidas em conta. Cabe ao professor adaptar o recurso ao manual conforme as necessidades dos seus alunos ou conforme a sua interpretação da complementaridade (pode haver necessidade de trazer algo para a aula que não vem no manual, mas que considera importante para complementar).

Fora da escola, os alunos têm acesso aos mass media, que vai influenciar comportamentos, atitudes e conhecimentos. Ao professor cabe o papel, por vezes ingrato, de filtrar a informação com que os alunos o bombardeiam, ajudando-os na selecção e organização da informação, assim como de esclarecer dúvidas (ex: informações contraditórias; atitudes e valores do viver em sociedade) e impor regras (que tipo de comportamento devem ter dentro da sala de aula), etc.

Mas, o mais importante, é que a comunicação de massas fez com que os alunos trouxessem “bagagem” para a sala de aula e permitiu uma maior interacção e uma dinâmica no processo ensino-aprendizagem que antes não existia.

1. Dentro dos Níveis de Comunicação qual, ou quais, na minha opinião condicionam mais a prática docente.

O nível de Comunicação que mais condiciona a prática docente é a comunicação grupal pois o comportamento dos alunos é condicionado pelo grupo (a turma). Por vezes os alunos não questionam o professor por vergonha, receando o que os colegas possam pensar sobre si. Outras vezes os alunos perturbam o bom funcionamento da aula, com “palhaçadas” e “barulho” que se repetem por haver apoio por parte dos colegas de turma. Também o facto de o professor ter alunos muito diferentes dentro de uma mesma turma, condiciona o processo comunicativo (grupal) no contexto da aprendizagem, podendo perder a atenção de alguns alunos quando está a dirigir-se aos outros e vice-versa. É difícil criar um ambiente de boa interacção entre o grupo e onde cada um seja livre de expressar-se sem ter medo, mas também respeitando cada elemento do grupo e as suas diferenças e opiniões.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Relação Comunicação/Educação

A evolução das comunidades de aprendizagem passa por diferentes momentos e está directamente relacionada com a evolução do conceito de comunicação.

Família (comunicação interpessoal):

É no seio da família que surgem as primeiras e principais relações do ser humano, surgindo um ambiente de aprendizagem (aprendizagem informal) direccionado para as necessidades quotidianas (subsistência) e para a herança cultural.
Este tipo de aprendizagem característica da família prevalece até aos dias de hoje, ainda que respondendo a diferentes necessidades que foram surgindo com a evolução das sociedades e das estruturas familiares (o aparecimento da estrutura educativa formal – escola – não retirou capacidade de intervenção à família, que continua a ter um papel significativo mas num diferente contexto).

Escola (comunicação de elite):

À comunicação de elite, associa-se a escola enquanto estrutura educativa preponderante, que surge na sequência do progressivo uso da linguagem escrita e, ao mesmo tempo, do aumento de complexidade das sociedades.
A utilização da escrita por si só cria uma divisão na sociedade (entre aqueles que eram capazes de se expressar por esse meio – a escrita – e outros que não o eram) o que faz com que a educação seja uma actividade especializada. A aprendizagem transforma-se numa matéria de especialistas e é executada num local determinado que não o ambiente familiar – a escola.
O próprio termo escola deriva do conceito grego de “ócio” (não se faz nada), que permitia que as pessoas dedicassem o seu tempo livre à escola. Só aquele que dispõe de tempo livre é que se pode dedicar às actividades intelectuais, e só tem tempo livre quem tem garantido segurança, habitação, alimentação.

Escola paralela (comunicação de massas):

O domínio da escola como única fonte da transmissão de saber é posto em causa a partir do momento em que surgem os meios de comunicação de massa: a amplificação das mensagens através da democratização dos livros, dos jornais, da rádio e principalmente da televisão (a televisão tem grande influência nas crianças) junta-se à escola (e à família) um novo agente transmissor de conhecimento e de atitudes com um novo estilo ao qual chamamos escola paralela.
A Escola paralela gerou três movimentos diferentes sobre a sua relação com a escola: movimento de substituição (sociedade sem escolas e livre acesso ao conhecimento), movimento de concorrência (relaciona-se com a imobilidade da escola face aos avanços da escola paralela, em que a estratégia é ir buscar a escola paralela e trazê-la para dentro da escola) e movimento de complementaridade (a escola deve ser encarada numa perspectiva de educação permanente, em função dos vários estádios de aprendizagem tendo como apoio a escola paralela).

Auto-educação (comunicação individual):

Como o aparecimento dos self-media veio permitir ao homem o acesso a informações e a mensagens sempre disponíveis, e a desenvolver a capacidade de expressão em linguagens diversificadas, o aluno já não é um mero estudante, que recebe as informações da aula de forma passiva, mas sim um participante activo na sua própria formação. O papel do professor (emissor) e do aluno (receptor) muda porque o aluno passa a ser um auto-educando, podendo aceder ao saber por si próprio (de forma autónoma) e o professor fica liberto das suas funções, meramente informativas, ganhando espaço para exercer funções mais formativas.

História da Comunicação

Desde sempre o Homem teve necessidade de comunicar. Por isso, desde os primórdios dos tempos até aos dias de hoje, o que evoluiu foi a forma de comunicar. A história da Humanidade está repleta de momentos de grandes descobertas, onde surgiram invenções que revolucionaram a comunicação e as relações entre os seres humanos.

Um primeiro momento (comunicação interpessoal) tem como características as linguagens de exteriorização. O homem tem nele próprio o único médium de comunicação, exprimindo-se através de gestos e sons (que viriam a dar origem à palavra). O alcance da comunicação neste período era limitado à capacidade auditiva e visual (estava limitado a um determinado espaço). A duração da comunicação limitava-se ao momento em que era produzida.

Num segundo momento (comunicação de elite), são as linguagens de transposição. Surgem novas formas do homem se expressar: esquemas, desenhos, ritmo, música. Desta forma rompe-se com o espaço e tempo e nasce uma nova era no campo da comunicação, com o surgimento de uma das grandes revoluções do homem: a escrita fonética.

O terceiro momento (comunicação de massas) é caracterizado pelo uso de linguagens de ampliação. Este período inicia-se com o aparecimento da imprensa e atinge o seu apogeu com o satélite. Este tipo de comunicação amplifica as mensagens, de forma a poderem chegar a todo o lado e a toda a gente (surge a designada sociedade de massas).

O último momento (comunicação individual) recorre às linguagens de registo, surgindo da possibilidade de gravação de sons e de imagens acessíveis a todos. Neste período o homem é o ponto de partida e o ponto de chegada da comunicação (com o auxílio dos chamados self-media).

O objectivo destes quatro momentos da evolução da comunicação passa pela necessidade de ultrapassar e transpor os limites espaciais e temporais. O aparecimento de um novo media não acaba com o anterior (por exemplo: o rádio não acabou com o jornal nem a televisão com o rádio, apenas assumiram papeis diferentes – o rádio informa, a televisão mostra e o jornal explica).

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ruído, redundância e entropia

O ruído é algo que não permite que a mensagem seja perfeitamente transmitida. Pode acontecer por motivos técnicos, linguísticos, psicológicos...

As crianças em idade escolar, tendo saído “recentemente”, do estádio cognitivo (segundo Piaget) caracterizado pelo egocentrismo, têm muitas vezes atitudes que criam ruído na comunicação: não aceitam a opinião do outro, mostram resistência a ouvir ou só ouvem o que lhes interessa, são indiferentes às necessidades do outro, são preconceituosos (diferenças socioculturais, raciais, religiosas…). Por vezes são simplesmente tímidos, tendo dificuldade em expressar-se.
Os professores devem promover nos seus alunos o respeito pelo outro e pelas regras de convivência, a tolerância, a cooperação e a partilha de opiniões. Quanto mais a turma for heterogénea, maior é o desafio do professor para criar um sistema comunicativo adequado e eficaz, assim como um bom relacionamento entre todos.

Weaver estendeu o conceito de ruído aos problemas da interpretação do significado pretendido numa mensagem. Basta que uma simples palavra seja mal interpretada para gerar conflitos entre os intervenientes do processo comunicativo.

Em contexto escolar, a interpretação de um enunciado condiciona fortemente a concretização e a correcta resolução da tarefa (ex: um exercício de matemática).
Também pode acontecer haver falhas na recepção da mensagem por faltar alguma unidade de mensagens anteriores (ex: um aluno não compreender um conceito por já não ter compreendido um conceito abordado anteriormente).
A redundância, utilização da repetição, surge para compensar os efeitos de ruído e tentar trazer algum equilíbrio ao processo comunicativo.

Nas aulas, ao ser abordado um novo conceito, ele deve ser explicado mais que uma vez, e de diferentes formas, para que a mensagem chegue a todos (pois os alunos não são todos iguais e o modo como compreendem não é sempre o mesmo).
A entropia é definida como a medida do grau de desordem de um dado sistema de comunicação, a falta de previsibilidade numa situação, resultando em incerteza.

No ensino, surge entropia quando os professores de diferentes áreas, mas que leccionam a mesma turma, não comunicam entre si de forma eficaz, o que causa mau ambiente de trabalho e, principalmente, prejudica os alunos.

Informação vs Comunicação

Informação e comunicação são conceitos diferentes, mas que se relacionam entre si. Pode haver informação sem comunicação, mas não pode haver comunicação sem informação.

O conceito de informação pode ser definido como um conjunto de dados, com significado num contexto específico. No entanto, principalmente para as crianças, o conceito é difícil de definir, apesar de ser intuitivo. Desde os primeiros meses de vida, a criança vai tendo acesso a um conjunto de dados que fornecem informação acerca dela própria e do mundo que a rodeia. Com essa informação, vai tentando encontrar formas de comunicar, ainda antes de utilizar a fala.

A comunicação envolve um processo dinâmico em que o receptor e o emissor vão assumindo diferentes posições com o desenrolar do processo comunicativo.


Na vertente pedagógica, a dinâmica da comunicação tem assumido um papel cada vez mais importante no processo ensino-aprendizagem.
Enquanto que, no ensino tradicional, apenas havia informação (o professor como transmissor de informação, podendo ou não haver recepção por parte dos alunos), na perspectiva actual a aprendizagem é mais significativa quanto melhor for o processo comunicativo (promove a troca de experiências e permite o desenvolvimento de competências ao nível da socialização, espírito crítico, receptividade, tolerância…).